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Sou compulsiva/o?

 

Talvez você conheça alguém que tem um comportamento repetitivo e até chame isso de vício: já comprou muitas coisas que nunca usou e ficaram estocadas no armário, depois de horas no celular percebeu que deixou de fazer algo importante, só parou de comer quando a coisa acabou, usou desenfreadamente alguma substância psicoativa (remédio, álcool, cigarro ou outra droga), ou que dormiu pouquíssimo por noites seguidas em detrimento do trabalho. Isso pode acontecer também com uma busca incessante por prazer sexual, apostas constantes, limpeza obsessiva, acumulação de objetos... as possibilidades são infinitas.

Quando isso acontece de maneira pontual provavelmente tem a ver com alguma circunstância específica. Mas quando é frequente, podemos logo imaginar consequências como insatisfação e sofrimento. Para começar a refletir se um comportamento está sendo compulsivo e precisa de atenção pode-se pensar se:

- Há um breve alívio de sensações ruins, mas em seguida sente-se ainda pior (geralmente com sentimento de culpa);

- Existem prejuízos relacionados (financeiros, sociais, profissionais, de saúde...);

- Repete-se constantemente o mesmo ato;

- Sente-se refém desse comportamento (ser “dominada/o” por ele).

Entendemos com a psicanálise que comportamentos compulsivos são, na verdade, uma tentativa de alívio para a angústia, ou seja, um esforço em dissolver alguma crise existencial que seja de difícil resolução. É comum que isso tenha a ver com algum trauma, mas que ele não seja identificável à primeira vista. Podem ser traumas antigos - por exemplo, a constância do sentimento de desamparo e desvalorização - ou traumas recentes - a perda de alguém, por exemplo.

Mas vale lembrar que até mesmo eventos recentes e pontuais carregam reflexo de várias outras experiências que deixaram marcas na psique e compõem a angústia atual.

Qualquer pessoa, em qualquer momento da vida, pode acabar buscando alívio por meio de comportamentos compulsivos. Vivemos em uma sociedade onde há grande incentivo por consumos excessivos e extravagantes, o que deixa a situação ainda mais complexa. Um perigo em não dar atenção para isso é: essa compulsão pode ir mudando de lugar e agregar outros comportamentos, prolongando assim o sofrimento decorrente.
Desafios e dores são inerentes a vida, assim como conquistas e bons encontros. Nem sempre é fácil continuar, mas momentos de reflexão, descanso e cuidado de qualidade ajudam a retomar o fôlego, recalcular a rota, e continuar a jornada com o que mais faz sentido para cada um/a.

Soluções rápidas e simples não se aplicam a problemas complexos e é preciso tempo e olhar atento para que alguns hábitos sejam revistos e desapegados. A psicoterapia pode ajudar muito com isso, sendo um espaço de amparo para o sofrimento, a dúvida e a angústia. Um dos objetivos desse tipo de cuidado é poder olhar para sua história, estabelecer relações válidas e se conhecer melhor, construindo maior confiança nos seus processos e assim, maior qualidade de vida.


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